Existe em muitas de nós uma certa saudade que não cabe em explicações lógicas. Uma saudade de coisas que hoje parecem pequenas, quase ingênuas, mas que tinham um jeito imenso de fazer a vida pulsar de verdade.
A campainha tocando em um sábado à tarde e alguém simplesmente chegando sem avisar.
A visita que não precisava de data no calendário compartilhado.
O telefone fixo tocando na sala e a gente atendendo no escuro, sem saber quem estava do outro lado.
Não precisávamos mandar mensagem antes perguntando com cautela: “Posso te ligar?”
Nem pedir licença antecipada para passar na calçada de alguém.
A gente ligava. A gente chegava.
E, na esmagadora maioria das vezes, era recebida com um café passado na hora e uma cadeira puxada.
Havia a fita cassete rebobinada na caneta, o filme fotográfico de 24 poses que pedia dias de espera até a revelação na farmácia. Tardes sem pressa urgente e conversas longas que não eram interrompidas porque alguém precisava checar uma notificação.
A gente não carregava o peso do mundo dentro do bolso da calça.
Não fotografava o prato antes de comer, nem o pôr do sol antes de respirar o ar fresco.
Não era preciso registrar para provar que estávamos vivas.
A vida simplesmente acontecia.
A Saudade Não É do Passado; É de Uma Sensação
Ao resgatar essa memória, percebo que não se trata de um desejo ingênuo de voltar no tempo. A nostalgia que tem tomado tantas mulheres não é sobre a tecnologia da época, mas sobre o estado de presença que nos foi roubado aos poucos.
É a saudade de sensações fisiológicas fundamentais:
- A sensação de esperar sem angústia;
- O prazer de se surpreender com o inesperado;
- A capacidade biológica de estar inteira no presente;
- A abertura interna para deixar o outro chegar.
Hoje, tornamos tudo extraordinariamente prático, instantâneo e hiperconectado. Temos respostas imediatas na palma da mão e agendas perfeitamente sincronizadas. No entanto, quantas vezes você se pegou exausta ao final do dia com a nítida impressão de que esteve em todos os lugares, menos dentro de si mesma?
Sentimos falta justamente daquilo que não precisava de roteiro. Daquilo que nos permitia apenas ser, sem a necessidade de produzir, performar ou reportar.
O Que o Excesso de Controle Fez com o Nosso Corpo?
Como terapeuta, olho para essa mudança de era não apenas com nostalgia poética, mas com atenção ao que aconteceu com o nosso sistema nervoso.
Quando nos acostumamos com a resposta em milissegundos, com o controle absoluto de quem nos acessa e com a necessidade contínua de preencher cada segundo livre com estímulos digitais, nosso corpo perdeu o treino do descanso real. Entramos em um estado permanente de alerta e antecipação.
- Bloqueamos o improviso porque o imprevisto passou a ser lido como ameaça;
- Fechamos os sentidos porque a sobrecarga sensorial do cotidiano já ultrapassou o limite do que os olhos e a mente conseguem processar;
- Substituímos o calor da presença pelo anestesiamento rápido das telas.
A menina que cresceu nos anos 80 ou 90 aprendeu a sentir o chão com os pés descalços, a tolerar o tédio e a escutar o próprio ritmo. Ela ainda vive em você. O seu corpo guarda essa memória celular de tranquilidade e inteireza, ele só precisa de espaço seguro para se reconectar com ela.
Para Você Respirar e Refletir:
Antes de continuar a sua navegação automática de hoje, reserve dois minutos para pousar as mãos sobre o peito, fechar os olhos e se perguntar com carinho:
- Qual foi a última vez em que você se permitiu viver um momento inteiro sem registrar, sem pressa e sem pensar no que viria depois?
- Em que parte do seu corpo você sente a tensão acumulada de precisar estar sempre disponível para o mundo digital?
- Do que a sua menina interna sente mais falta hoje: de silêncio, de toque real, de tempo livre ou de simplesmente respirar sem obrigação?
Dê o Primeiro Passo de Volta Para Si Mesma
A vida moderna não vai parar, e não precisamos nos isolar do mundo contemporâneo para reencontrar a paz. O convite é outro: reaprender a habitar o próprio corpo e voltar a sentir.
Se você sente que a correria, o excesso de estímulos e o cansaço mental anestesiaram a sua capacidade de desfrutar o presente, preparei uma jornada leve, gentil e profunda para conduzir você de volta ao seu centro.
No programa 7 Dias para Voltar a Sentir, você será guiada por práticas diárias que combinam movimento consciente, o suporte restaurativo dos aromas e o resgate da percepção corporal através dos fundamentos do Método M.A.S. São pequenas pausas diárias para desarmar o estado de alerta, desanuviar a mente e reencontrar a leveza que sempre foi sua.
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Sua jornada não precisa ser solitária. O meu coração saúda o seu coração. Vamos juntas?
Pamella Schefer | Terapeuta
Criadora do Método M.A.S. (Movimentos, Aromas e Sentir)
Corpo • Presença • Sentir
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