Levar a criança interior para se divertir é um dos atos de autocuidado mais genuínos e restaurativos que existem.
Sempre que a Carreta Furacão chega à cidade, meu coração vibra de uma maneira diferente. Observar os dançarinos com aquela energia quase acrobática, o grave da música fazendo a rua tremer, os passos coreografados e o brilho nos olhos dos pequenos é um resgate imediato da espontaneidade pura.
Porém, na última vez em que subi a bordo desse espetáculo ambulante, algo inesperado me atravessou: eu entrei sorrindo e terminei chorando.
Dessa vez, meus olhos de terapeuta enxergaram para além do show de luzes neon e da diversão evidente. A Carreta se revelou como um palco vivo a céu aberto, um microcosmo da nossa própria caminhada humana, repleto de símbolos, dores veladas e beleza crua.
Os Bastidores do Cuidado: O Amor Que Segue de Perto
Logo no início da volta, uma cena simples me desarmou. Uma mãe acomodava seu filho nos bancos coloridos do veículo, enquanto o pai acompanhava todo o percurso logo atrás, dentro do carro da família, seguindo cada metro em velocidade baixa.
Ele não quis subir na festa nem dançar sob os holofotes. A sua presença era outra, o olhar protetor no volante, a atenção aos cruzamentos, o compromisso silencioso de garantir que aquele momento de magia acontecesse em segurança.
Quantas vezes na vida não percebemos aqueles que nos guardam nos bastidores? Pessoas que sustentam o espaço seguro para que possamos ousar, sonhar e nos expressar. O cuidado genuíno muitas vezes não faz barulho nem pede aplausos, ele apenas acompanha de perto.
A Urgência do Sinal Vermelho e o Medo do Ridículo
Mais à frente, reparei em três meninos dividindo duas bicicletas, pedalando incansavelmente ao lado da Carreta. Eles não tinham ingresso, mas tinham algo muito mais valioso: o desejo absoluto de pertencer.
A cada cruzamento, torciam com a alma para que o semáforo ficasse vermelho. Quando o sinal fechava e a Carreta parava, eles desciam em disparada das bicicletas, entravam na coreografia dos personagens e dançavam com uma entrega magnética no asfalto. Assim que o sinal abria, um pulava no cano da bicicleta do amigo em movimento, imitando com precisão cirúrgica a agilidade dos dançarinos que sobem no estribo do caminhão.
Eu me peguei ali, torcendo com eles para que cada sinal da avenida fechasse. E as lágrimas vieram.
Chorei ao testemunhar a ousadia da infância, que se atira na alegria sem calcular o ridículo, sem medir a aprovação dos outros e sem medo de ocupar espaço. E me perguntei: quantos semáforos nós fechamos dentro do nosso próprio corpo ao longo da vida adulta? Quantas vezes engolimos a nossa espontaneidade porque aprendemos que expressar o que sentimos não era adequado, seguro ou polido?
O Pequeno Homem-Aranha e a Fome de Ser Visto
Na calçada de uma rua mais calma, outra família esperava o cortejo passar. No meio deles, um menino de cerca de oito anos vestindo a fantasia do Homem-Aranha não tirava os olhos do caminhão que se aproximava.
Quando a música trocou e os personagens olharam em sua direção, aquele pequeno saltou para o meio-fio. Deu piruetas, estrelas e sustentou passos ensaiados com o peito aberto e os olhos faiscando para a família que o aplaudia. Aquele pedaço de asfalto era, para ele, o maior palco do mundo.
Ele só precisava de uma coisa: ser visto em seu brilho.
Crescemos, vestimos armaduras de eficiência, colocamos a postura séria de quem precisa dar conta de tudo e vamos, gradativamente, calando esse brilho primitivo. Ficamos rígidas, sérias demais, presas a agendas e obrigações. E o corpo sente essa asfixia somática na forma de garganta travada, musculatura enrijecida e perda da capacidade de se encantar.
Nos bastidores de tudo isso, conversei brevemente com um dos rapazes que dá vida aos personagens. Por trás das fantasias pesadas e da energia incansável sob o calor do asfalto, há jovens cheios de desafios próprios, trabalhando com dedicação para sustentar o riso alheio. Eles também carregam suas batalhas cotidianas e, ainda assim, escolhem colocar o corpo em movimento para acordar a alegria da cidade.
Como Essa História Toca a Sua Pele?
Faça uma pausa breve, tire o foco da tela por alguns segundos e permita-se sentir:
- Quantas vezes você silenciou a sua espontaneidade para caber em moldes que nunca foram seus?
- Em qual momento da sua história você parou de dançar e passou a ter medo do olhar alheio?
- Se a sua criança interior estivesse diante de você agora, o que ela pediria para vocês fazerem juntas neste exato instante?
Desate as Amarras do Seu Corpo e Volte a Sentir
A cura não exige que abandonemos as responsabilidades da maturidade. Ela apenas pede que não deixemos a nossa vitalidade morrer soterrada por elas. Reencontrar a alegria autêntica é um movimento que começa pela descompressão do próprio corpo.
Se você sente que a vida foi ficando séria, pesada ou amortecida pelo excesso de cobranças, convido você a embarcar na Jornada 7 Dias para Voltar a Sentir.
Guiada pelos três pilares do Método M.A.S., movimentos conscientes para soltar as couraças e resgatar a soltura física, o suporte neuroemocional dos aromas para destravar as memórias de leveza e a escuta sutil do sentir, essa imersão diária foi desenhada para ajudar você a abrir os semáforos internos e convidar sua essência viva de volta para a festa.
Sua jornada não precisa ser solitária. O meu coração saúda o seu coração. Vamos juntas?
Pamella Schefer | Terapeuta
Criadora do Método M.A.S. (Movimentos, Aromas e Sentir)
Corpo • Presença • Sentir
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